
Os animais que vivem nos arredores da antiga usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, apresentam assinaturas genéticas exclusivas no organismo. Um novo levantamento científico identificou que esses cães possuem modificações no genoma diretamente associadas ao surgimento de tumores malignos e aos mecanismos biológicos de reparo do DNA.
Diferenças que vão além do isolamento
Para compreender a origem dessas transformações, pesquisadores analisaram o perfil genético da população canina da zona de exclusão e o compararam com espécimes caninos do arquipélago de Galápagos, conhecido por abrigar populações historicamente afastadas de outros continentes.
O resultado da análise, veiculada na revista científica Genes, comprovou que as divergências biológicas encontradas no grupo de Chernobyl não decorrem simplesmente da separação territorial. Embora o distanciamento físico provoque variações genéticas naturais ao longo das gerações, as características observadas nos cães ucranianos revelam particularidades muito mais profundas e específicas.
Efeitos celulares da exposição contínua
De acordo com o estudo, os dados reforçam o impacto do ambiente contaminado sobre a integridade celular das espécies locais. Os padrões genéticos apontam para mutações que atuam na proteção e correção de danos nas hélices de DNA, além de genes vinculados ao avanço de processos oncológicos.
O monitoramento contínuo desses mamíferos se consolidou como uma fonte crucial de dados para a ciência, pois ajuda a desvendar como mamíferos de grande porte reagem, se adaptam e sobrevivem em ecossistemas sob estresse radioativo crônico ao longo de décadas.
Fonte: Cães e Gatos
